Brasília – 17 de agosto de 2025
O mercado de trabalho brasileiro acaba de bater um recorde histórico: segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego caiu para 6,1%, o menor índice desde o início da série histórica da PNAD Contínua, em 2012. O dado surpreende ainda mais por ter ocorrido em meio a uma das mais altas taxas de juros do mundo, atualmente fixada em 15% ao ano pelo Banco Central.
Economistas classificam o fenômeno como uma “anomalia positiva”, que desafia previsões tradicionais da teoria econômica — segundo as quais juros elevados tendem a esfriar a atividade econômica e, por consequência, o emprego. O caso brasileiro, no entanto, parece estar contrariando essa lógica.
Um mercado aquecido, apesar dos juros
A combinação de fatores estruturais e conjunturais ajuda a explicar esse cenário. Entre os principais elementos citados por analistas estão:
- Retomada do investimento público em infraestrutura e habitação nos últimos dois anos;
- Expansão do setor de serviços e tecnologia, com crescimento acelerado da economia digital;
- Reforma tributária e simplificação regulatória, que aumentaram a confiança do setor produtivo;
- Estabilidade institucional, que tem atraído investidores externos mesmo em um ambiente de juros altos.
Além disso, programas de estímulo ao crédito com garantias públicas, voltados para pequenas e médias empresas, ajudaram a manter o nível de atividade em setores sensíveis ao consumo interno.
Política monetária em xeque?
O resultado reacende o debate sobre a política monetária do Banco Central. Com a taxa Selic mantida em 15% desde meados de 2024, em uma tentativa de conter pressões inflacionárias, muitos analistas esperavam desaceleração no mercado de trabalho. O que se viu, no entanto, foi exatamente o oposto.
“Estamos diante de um paradoxo. O desemprego está caindo mesmo com juros altíssimos. Isso sugere que a taxa de juros pode estar mais desconectada do dinamismo da economia real do que se imaginava”, afirma a economista Luciana Tavares, da Fundação Dom Cabral.
A pressão sobre o Banco Central deve aumentar nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), especialmente com a inflação controlada nos últimos trimestres, abaixo de 4% ao ano.
Renda ainda é desafio
Apesar da queda no desemprego, a renda média do trabalhador ainda mostra recuperação lenta. Segundo o IBGE, o rendimento real médio subiu apenas 1,2% nos últimos 12 meses, com maior crescimento em setores como tecnologia, saúde e educação. Já empregos informais e de baixa qualificação seguem com remuneração estagnada.
Ainda assim, o crescimento da ocupação e a formalização crescente do trabalho são vistos como sinais positivos.
Perspectivas
Com as eleições de 2026 se aproximando, o governo federal deve usar os números como trunfo político. O ministro da Fazenda, em coletiva nesta manhã, afirmou que “o Brasil está colhendo os frutos de uma política econômica responsável e orientada para o crescimento com inclusão social”.
A dúvida que permanece é: por quanto tempo a economia brasileira conseguirá manter esse fôlego com juros tão elevados?







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