23 de agosto de 2025
O Bolsa Família, principal programa de transferência de renda do Governo Federal, tem como objetivo garantir uma renda mínima a famílias em situação de vulnerabilidade social. No entanto, relatos vindos de algumas regiões do país têm levantado discussões sobre o uso indevido do benefício por parte de uma minoria de beneficiários, especialmente em relação ao consumo de drogas.
Comunidades, lideranças locais e até agentes de saúde têm relatado casos em que parte do valor recebido é supostamente gasto com substâncias ilícitas, como crack, maconha e álcool. Embora esses episódios não representem a maioria dos beneficiários — que utilizam o recurso para alimentação, educação e moradia — eles acendem um alerta sobre a necessidade de acompanhamento mais próximo de famílias em situação de risco.
A assistente social Mariana Lopes, que atua em uma unidade do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) no interior do Maranhão, afirma que os casos existem, mas são isolados. “Não podemos generalizar. A maioria dos beneficiários são mães que usam o dinheiro para alimentar seus filhos. Mas, sim, há situações em que o problema da dependência química impacta diretamente no uso consciente do benefício.”
O governo, por sua vez, afirma que o programa não tem como finalidade controlar o uso do dinheiro, mas sim garantir a transferência de renda e a inclusão social. Em nota recente, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social destacou que o Bolsa Família é acompanhado por uma rede de assistência que envolve saúde, educação e assistência social. “Casos de vulnerabilidade extrema, como uso abusivo de drogas, são atendidos por políticas públicas específicas”, diz o comunicado.
Especialistas em políticas públicas alertam para os riscos de estigmatizar os beneficiários por conta de casos pontuais. “Focar exclusivamente em usuários de drogas dentro do Bolsa Família pode alimentar preconceitos e desinformação. O caminho mais eficaz é fortalecer o trabalho de base, com ações educativas e de recuperação para dependentes químicos”, avalia o sociólogo Henrique Amaral, da Universidade Federal do Paraná.
A discussão reacende o debate sobre como equilibrar assistência social, políticas de saúde mental e combate ao uso de drogas. Enquanto isso, a realidade nas periferias exige ações concretas e humanizadas — tanto para garantir que o dinheiro do Bolsa Família cumpra seu papel, quanto para que famílias fragilizadas tenham acesso ao tratamento e ao acolhimento de que precisam.







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