Terceirização da coleta de lixo em Bauru levanta críticas e preocupa população

A decisão da prefeita Suéllen Rosim de terceirizar o serviço de coleta de lixo em Bauru tem provocado forte reação entre moradores, servidores públicos e especialistas em gestão urbana. O contrato, defendido pela administração como uma solução para melhorar a eficiência e reduzir custos, é visto por críticos como mais um passo na desmontagem dos serviços públicos municipais e uma ameaça à transparência e à estabilidade dos trabalhadores.

Desde o início da gestão, a prefeita vem enfrentando questionamentos sobre a qualidade dos serviços urbanos e a forma como o município tem conduzido a relação com as empresas terceirizadas. A coleta de lixo, um dos serviços essenciais e mais visíveis da cidade, agora entra nesse debate. Servidores da Emdurb, empresa pública responsável historicamente pela limpeza urbana, afirmam que a terceirização enfraquece a estrutura pública e pode abrir espaço para interesses privados pouco comprometidos com o bem coletivo.

Além das preocupações com possíveis demissões e precarização do trabalho, há também dúvidas sobre o real ganho de eficiência. Experiências em outras cidades mostram que contratos de terceirização muitas vezes começam com promessas de economia, mas acabam custando mais caro devido a aditivos contratuais e falta de fiscalização adequada. Em Bauru, críticos alertam que o mesmo pode se repetir, especialmente diante do histórico recente de dificuldades da prefeitura em fiscalizar contratos de grande porte.

Moradores também se queixam da falta de diálogo. A decisão foi anunciada sem ampla consulta pública ou debate na Câmara Municipal, o que alimenta a sensação de distanciamento entre o governo e a população. “É um serviço essencial, que mexe com o dia a dia de todos. Decisões desse porte deveriam ser discutidas com transparência”, afirma um representante de associação de bairro.

Para muitos, a terceirização da coleta de lixo simboliza a prioridade da atual gestão em transferir responsabilidades do poder público para a iniciativa privada, mesmo em áreas estratégicas. A medida, dizem, pode até aliviar temporariamente a pressão sobre a prefeitura, mas não resolve os problemas estruturais da cidade, como a falta de investimento em infraestrutura, gestão de resíduos e valorização dos servidores municipais.

Enquanto a administração defende a decisão como um “avanço na modernização da limpeza urbana”, cresce a desconfiança de que a terceirização, em vez de modernizar, possa apenas aprofundar desigualdades e fragilizar ainda mais a capacidade do município de gerir seus próprios serviços.

Deixe um comentário

Fanfulla – Períodico

Fanfulla: compromisso com a verdade

No Fanfulla, acreditamos que a informação de qualidade começa pela honestidade com o leitor. Em tempos de ruído e desinformação, nosso compromisso é com a verdade — ainda que ela seja incômoda, difícil ou contrariada por interesses diversos.

Buscamos fatos. Apuramos com rigor. Questionamos versões prontas. E entregamos ao nosso público uma leitura crítica, independente e fundamentada.

Nosso papel não é agradar, mas informar com responsabilidade. A cada edição, reafirmamos: a verdade é o único caminho possível para quem leva o jornalismo a sério.

Siga nossas redes sociais