A Polícia Civil e a Polícia Militar do Rio de Janeiro deflagraram, nesta sexta-feira (14/11/2025), mais uma fase da Operação Contenção em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O objetivo da ação é desarticular o núcleo financeiro e impedir o avanço territorial da facção criminosa Comando Vermelho (CV) na região, que, segundo as investigações, movimentou cerca de R$ 30 milhões em um período de 11 meses através de extorsão a moradores e comerciantes.
A operação cumpriu 16 mandados de prisão e 33 de busca e apreensão, resultando na detenção de pelo menos oito pessoas. A ação foi conduzida pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).
Vereador Mais Votado de Meriti Detido em Flagrante
Entre os presos está o vereador Marcos Henrique Matos de Aquino (Republicanos), o mais votado do município de São João de Meriti nas eleições de 2024.
O parlamentar, que inicialmente não era alvo direto dos mandados de prisão, foi detido em flagrante após agentes encontrarem em seu carro oficial da Câmara:
- Uma arma de fogo registrada em nome de terceiros, configurando porte ilegal de arma.
- Uma grande quantidade de medicamentos de uso controlado, como antidepressivos, sem comprovação de origem ou receita.
O vereador foi liberado após o pagamento de fiança no valor de R$ 20 mil, mas a Polícia Civil informou que solicitou a conversão de sua prisão em flagrante para preventiva, indicando a abertura de um novo braço na investigação para apurar a origem e o destino da medicação apreendida e seu possível envolvimento no esquema criminoso.
Irmão do Parlamentar é o Principal Alvo
O principal foco da Operação Contenção era o irmão do vereador, o empresário Luiz Paulo Matos de Aquino. Ele possuía um mandado de prisão temporária expedido, mas não foi localizado pelas equipes policiais, sendo considerado foragido até o momento.
As investigações apontam que tanto o irmão quanto o vereador possuem ligações com a facção criminosa, que estaria tentando expandir sua influência também para o campo político da Baixada. O esquema financeiro do CV se baseava na cobrança ilegal de taxas em diversas comunidades, uma tática semelhante à utilizada por grupos de milicianos.
Além das prisões, a operação resultou na apreensão de fuzis, pistolas, carregadores, munições, radiotransmissores, acessórios táticos e grandes quantidades de drogas (maconha e cocaína). As equipes também trabalharam na remoção de barricadas e obstáculos que limitavam o direito de ir e vir da população.
A defesa de Marcos Aquino contestou a prisão, classificando a ação como arbitrária e alegando perseguição política.








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