💸 O Interior na Sombra: A Crítica ao Modelo de Investimento da Gestão Tarcísio

A gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à frente do Governo de São Paulo tem sido marcada pela aposta maciça em grandes projetos de infraestrutura e um modelo intensivo de concessões e privatizações. Embora essa abordagem seja vendida como um motor de desenvolvimento para todo o estado, uma análise crítica revela um risco significativo: a desproporcionalidade e a concentração dos investimentos, que parecem deixar o vasto e diversificado interior paulista com uma fatia muito menor do bolo.


🏛️ O Risco da “Capitalização” do Desenvolvimento

O cerne da crítica reside na aparente prioridade dada a obras que impactam diretamente a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e grandes eixos de circulação já consolidados. Projetos como o Trem Intercidades (TIC) e expansões metroviárias/ferroviárias, embora estratégicos, têm seu benefício principal e imediato focado no eixo Campinas-Capital e na própria metrópole.

O modelo de concessão, que atrai bilhões em capital privado, tende a priorizar onde o retorno financeiro é mais rápido e garantido, ou seja: áreas de alto tráfego e densidade populacional. Isso cria um ciclo vicioso:

  1. Investimento Concentrado: O governo direciona incentivos e recursos para atrair capital para áreas metropolitanas.
  2. Interior Marginalizado: Cidades do interior, especialmente as de menor porte e mais afastadas, ficam dependentes de verbas diretas (recursos próprios do Tesouro Estadual) ou de programas menores, que frequentemente são insuficientes para lidar com o passivo de infraestrutura local (saneamento, saúde, educação).
  3. Desigualdade Regional: A diferença no ritmo de desenvolvimento entre a capital/eixo central e o interior se acentua, prejudicando a capilaridade da economia e fixando a população em polos já saturados.

🛣️ Infraestrutura Local e o “Buraco” na Estratégia

Enquanto o governo celebra bilhões em duplicação de rodovias concedidas, prefeitos do interior relatam uma dificuldade crescente em obter recursos estaduais para obras essenciais, mas menos “glamourosas”:

  • Vicinais e Estradas Municipais: O estado de São Paulo possui uma vasta malha de estradas vicinais cruciais para o escoamento da produção agrícola e para a mobilidade regional. O baixo investimento em programas específicos para essas vias afeta diretamente a competitividade do agronegócio e a qualidade de vida nos municípios menores.
  • Saúde e Educação Local: A descentralização prometida precisa se traduzir em reformas e construção de hospitais regionais e escolas em cidades que não são centros urbanos. A falta de investimento nesses setores força o deslocamento de moradores do interior para centros maiores, sobrecarregando hospitais de referência.

O governo corre o risco de ser lembrado por ter entregue grandes obras de impacto visual, mas ter negligenciado a base que sustenta a economia e a vida social da maioria dos municípios paulistas. A visão de desenvolvimento não pode ser apenas rodoviária; ela precisa ser capilarizada e municipalista, garantindo que o dinheiro público e privado chegue em todas as regiões, e não apenas onde o lucro ou a visibilidade política é maior.


📢 A Cobrança Municipalista

A crítica do interior não é contra o progresso, mas contra a injustiça na distribuição. Para que São Paulo se desenvolva de forma coesa, o Governo Tarcísio precisa urgentemente reequilibrar a balança de investimentos, garantindo que o orçamento estadual cumpra sua função social e corrija as disparidades regionais, ao invés de apenas reforçar a vocação metropolitana do estado.

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