Militares assumem controle na Guiné-Bissau, suspendem eleições e anunciam detenção do presidente

A Guiné-Bissau enfrenta uma nova e grave crise política após um grupo de altas patentes das Forças Armadas tomar o poder nesta quarta-feira, anunciar a suspensão do processo eleitoral em curso, anular a divulgação dos resultados e determinar o fechamento imediato das fronteiras do país.

A declaração foi feita pelo general Denis Ncanha, que comunicou também a detenção do presidente Umaro Sissoco Embaló e de diversas autoridades do governo, incluindo o ministro do Interior e membros da cúpula militar ligada ao Executivo. Segundo o pronunciamento, a intervenção teria como objetivo “restabelecer a estabilidade” após dias de tensão pós-eleitoral.

Durante a madrugada, moradores da capital, Bissau, relataram ter ouvido disparos nas proximidades do palácio presidencial. No comunicado transmitido à imprensa, os militares — que se autodenominaram Alta Comandância Militar para a Restauração da Ordem — afirmaram que a ação seria necessária diante do que classificaram como “uma ameaça grave à ordem constitucional”.

Na coletiva, oficiais fardados, alguns exibindo insígnias de alta patente, reforçaram que o país permanecerá sob controle militar até que “a normalidade seja restabelecida”. Não foram divulgados detalhes sobre a situação pessoal do presidente nem sobre a duração prevista da intervenção.

A crise atual aprofunda um histórico já marcado por instabilidade. Nas últimas duas décadas, a Guiné-Bissau viveu sucessivos conflitos entre Executivo, Judiciário e Parlamento, além de frequentes confrontos internos entre diferentes alas das Forças Armadas. Analistas internacionais destacam que o novo episódio pode acentuar o isolamento político do país e comprometer ainda mais a confiança da população nas instituições democráticas.

Organizações regionais e países vizinhos monitoram a situação de perto, mas até o momento não houve pronunciamentos oficiais sobre possíveis ações diplomáticas ou pedidos de negociação.

A comunidade internacional aguarda novos desdobramentos enquanto cresce a preocupação com a segurança da população civil e com o futuro do processo democrático na Guiné-Bissau.

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