O “imperialismo” chinês

É inegável que a China se tornou uma grande potência global. Segunda maior economia do planeta, segundo país mais populoso do mundo, os números chineses são impressionantes. Além disso, o país domina atualmente quase todo o setor produtivo industrial global: é praticamente impossível hoje comprar algum produto que não tenha algum componente “Made in China”. Hoje a China já dominou o mundo e temos que aceitar este fato, com alegria ou tristeza, depende de suas convicções pessoais.

Porém o “imperialismo” chinês seja o mais pacífico e harmônico que o mundo possa ter visto, nos últimos mil anos, por diversos motivos, dentre eles, a própria cultura de “superioridade” existente na China, com relação aos outros povos.

A tradição milenar chinesa enxerga todos os outros povos “não chineses” como sendo “bárbaros”, motivo pelo qual sempre existiu um forte desinteresse dos chineses em conquistar outros povos e territórios. Por este motivo, mesmo no passado, a China, tendo riqueza e significativa capacidade militar, os chineses não saíram conquistando outros povos, tal como fez os europeus. Em vez disso, a China invadia outros territórios próximos, transformando-os em uma espécie de “Estados tributários” da China, de forma que estes outros territórios preservariam sua independência com relação à China, desde que pagassem tributos à China, em determinadas épocas do ano. Um grande exemplo disso foi Okinawa, que antes de ser controlada pelo Japão,, era um reino independente, que pagava tributos à China.

E esta prática de controle de territórios estrangeiros, de uma certa maneira, acabou retornando aos dias atuais, com a estratégia que a China tem feito com os países africanos na África: Os chineses têm investido significativos recursos na África, principalmente para o desenvolvimento da infraestrutura local, e em contrapartida, os países africanos permitem acesso dos chineses a diversos recursos naturais, de maneira significativamente vantajosa. Com isso, a China fica cada vez mais rica, sem a necessidade de controlar diretamente outros territórios.

E o que mais me impressiona na China é o fato de possuir uma das mais modernas forças armadas do mundo e o país está há mais de 35 anos sem estar envolvido em qualquer tipo de conflito militar armado. Ao contrário da Rússia e EUA, mesmo sendo uma potência militar, a China preza muito pelo domínio pacífico e soluções diplomáticas, entendendo que conflitos militares são prejudiciais aos negócios.

Desta forma, enquanto que os EUA lucram com a “indústria da guerra”, a China necessita de paz mundial para garantir seu crescimento econômico, pois sua economia é completamente baseada na indústria de bens de consumo. Por este motivo, os chineses tendem a ser muito mais flexíveis e tolerantes a regimes estrangeiros que nem sempre compartilham dos mesmos ideais do governo chinês: o foco da China é apenas garantir o seu lucro e nada além disso.

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