O que aprendemos com a queda de Nicolás Maduro

Os Estados Unidos cumpriram com sua palavra e finalmente prenderam Nicolás Maduro, pondo fim ao regime bolivariano da Venezuela, que durou por mais de 25 anos (1999-2026).

A queda de Nicolás Maduro não é meramente simbólica, mas sim um marco para toda a geopolítica regional e deve ser analisada com cautela, pois apesar dos pesares, ela sempre nos afirma um fato histórico comum: “Toda ditadura terá seu fim e todo ditador cairá morto ou humilhado”.

O destino dos ditadores é inevitável, até mesmo porque existe aquele bom e velho ditado popular: “Quanto maior a altura, maior será a queda.” E foi exatamente isso que aconteceu com o regime bolivariano. Independentemente dos motivos pelos quais os Estados Unidos derrubaram seu regime, o que importa é a realidade do povo venezuelano e como este reagiu à queda do regime. Quando um povo comemora pela queda de seu líder, inegavelmente sabemos que estávamos diante de uma tirania.

A situação dos venezuelanos era minimamente lamentável: milhares de famílias separadas pela diáspora, milhares de pessoas passando fome, milhares de pessoas mortas pelo regime. O saldo da ditadura bolivariana é um dos piores possíveis e, certamente, é algo que nossos irmãos venezuelanos querem superar o mais rápido possível, embora saibamos que a transição será conturbada.

De acordo com a Human Rights Watch (2024), mais de cinco milhões de venezuelanos (cerca de 17,8% da população do país) passavam fome (https://www.hrw.org/pt/world-report/2025/country-chapters/venezuela). O salário mínimo local é um dos mais baixos do mundo, de apenas R$ 2,72 por mês (https://exame.com/mundo/salario-minimo-na-venezuela-cai-para-r-272-por-mes/), valor inegavelmente insuficiente para garantir o mínimo para a sobrevivência de qualquer indivíduo.

Ainda que falem que eu estou apenas a “tacar pedras na vidraça” de Maduro, o site Expatistan, referencia global em realizar o comparativo de custo de vida pelo mundo, viver na cidade de Bauru, no interior de São Paulo, é 41% mais barato do que viver em Caracas, na Venezuela (https://www.expatistan.com/pt/custo-de-vida/comparacao/caracas/bauru?), ou seja, a conta literalmente não fecha: Se é mais barato viver em Bauru do que em Caracas, como que o salário mínimo venezuelano pode ser tão baixo? A resposta é simples: não poderia, mas é, porque se trata de um país falido, mal gerido e corrupto.

Não obstante, não podemos nos olvidar, que durante o regime bolivariano, o Poder Legislativo foi gradualmente sendo sufocado e perdendo espaço na política local e o Poder Judiciário foi completamente aparelhado pelo governo (https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/01/sob-maduro-venezuela-acelerou-derrocada-democratica-e-passou-a-ser-investigada-por-tribunal-de-haia.shtml), o que demonstra o fim da imparcialidade e independência institucional, algo bastante característico nas ditaduras.

Por este motivo, eu digo que a esquerda brasileira é hipócrita, ignóbil e leviana: critica a intervenção militar dos EUA na Venezuela, por ter supostamente matado cerca de 40 pessoas na referida operação, mas por outro lado se esquece que, durante as eleições venezuelanas, em 2024, o regime de Nicolás Maduro perseguiu assiduamente opositores, matou 23 pessoas e deteve mais de mil e duzentas pessoas, inclusive menores de idade (https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/analise-regime-de-maduro-se-orgulha-de-ter-prendido-milhares-de-pessoas/). Não obstante, o saldo total de mortes do regime, nos últimos 25 anos, ultrapassa mais de seis mil pessoas, por ações feitas pelos esquadrões da morte do regime (https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/maduro-mortes-politicas-faes-onu/).

Sobre a aliança de Maduro com os narcotraficantes locais, ainda que não seja algo tão perceptível, isto ficou bastante evidente durante as últimas eleições, quando áreas dominadas por grupos criminosos locais forçavam a população local a votar em Nicolás Maduro. A saber, uma das maiores facções criminosas da América Latina, que inclusive mantém laços com facções criminosas brasileiras, está situada na Venezuela (https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3g9j0xjggeo).

É engraçado quando a esquerda brasileira diz que o que os EUA fizeram é algo ilegal, a ponto de ser cômico. Nunca a população venezuelana, sozinha, sem qualquer apoio exterior, conseguiria depor o regime de Nicolás Maduro: era um regime sanguinário, cheio de alianças obscuras e completamente implacável. Defender Maduro ou atacar a ação dos EUA, ainda que saibamos que os motivos desta intervenção sejam unicamente por causa do petróleo, é no mínimo um caso de severa falta de caráter ou de extrema inocência.

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