Caracas, 9 de janeiro de 2026 — Em um movimento que marca uma reconfiguração profunda no alto comando militar venezuelano, a presidente interina Delcy Rodríguez ordenou a prisão e destituição do general Javier Marcano Tábata, que até recentemente era comandante da Guarda de Honra Presidencial e chefe da principal agência de contrainteligência do país.
A decisão ocorre dias após a captura do presidente Nicolás Maduro por forças militares dos Estados Unidos em uma operação em Caracas, que resultou no transporte do líder venezuelano a Nova York para enfrentar acusações federais de narcoterrorismo.
Acusações de traição e falha na segurança
Segundo fontes locais e analistas, Marcano Tábata é apontado como responsável por graves falhas de segurança que teriam permitido a operação estrangeira em solo venezuelano sem resistência significativa. Relatos não oficiais indicam que ele teria até mesmo desativado partes dos sistemas de defesa aérea e facilitado a ação dos comandos norte-americanos — acusações que configuram, na prática, acusações de traição.
Embora o governo venezuelano ainda não tenha publicado uma lista oficial de crimes formais contra Marcano Tábata, autoridades o acusam de negligência e cumplicidade com forças externas, o que, em meio à crise, levou à sua prisão sob ordem direta de Rodríguez.
Contexto de instabilidade política
Delcy Rodríguez, que assumiu a presidência interinamente após a captura de Maduro com o aval da Assembleia Nacional controlada pelos governistas, enfrenta agora um desafio monumental: restaurar a ordem interna e manter a lealdade das forças armadas em um país em profunda crise política e institucional.
Além das mudanças no alto escalão militar, seu governo já começou a liberar prisioneiros políticos em uma tentativa de aliviar tensões e amenizar críticas internacionais, em meio a negociações mais amplas com os Estados Unidos sobre cooperação, inclusive no setor petrolífero.
Novo comandante de segurança
No lugar de Marcano Tábata, o general Gustavo González López foi nomeado para comandar tanto a Guarda de Honra Presidencial quanto a Direção Geral de Contrainteligência Militar (DGCIM). González López é uma figura controversa, com histórico nos serviços de inteligência venezuelanos e sancionado internacionalmente por supostas violações de direitos humanos durante seu mandato anterior.
Reações e cenário internacional
A execução dessa ordem de prisão sinaliza uma tentativa de contenção de danos políticos e de reestruturação das instituições de segurança venezuelanas, à medida que o país lida com o impacto geopolítico da captura de seu líder máximo e a importante pressão internacional sobre o futuro político da Venezuela.







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