Salário de R$ 2 mil já não atrai trabalhadores e supermercados sofrem com falta de mão de obra

Mesmo oferecendo salários em torno de R$ 2.000, redes de supermercados em diversas regiões do Brasil enfrentam dificuldades crescentes para contratar funcionários, especialmente para vagas que exigem a escala 6×1 — seis dias de trabalho para apenas um de descanso.

O problema, que já vinha sendo percebido de forma gradual, tornou-se mais evidente nos últimos meses. Caixas, repositores, açougueiros e atendentes estão entre os cargos com maior número de vagas em aberto. Em muitos casos, processos seletivos são iniciados, mas não avançam por falta de interessados ou pela desistência dos candidatos após conhecerem as condições de trabalho.

Especialistas apontam que a escala 6×1, somada a jornadas longas, trabalho aos fins de semana e feriados, além da alta exigência física e emocional, tem pesado mais do que o valor do salário. Para muitos trabalhadores, a remuneração já não compensa a rotina intensa e a dificuldade de conciliar vida pessoal, descanso e saúde.

Outro fator relevante é a mudança no perfil do trabalhador brasileiro. Com mais acesso à informação e novas possibilidades de renda, como trabalhos autônomos, aplicativos e pequenos negócios, parte da população economicamente ativa tem optado por alternativas que oferecem maior flexibilidade, mesmo que com renda variável.

Representantes do setor supermercadista alertam que a falta de mão de obra impacta diretamente o funcionamento das lojas, gerando filas maiores, sobrecarga para os funcionários ativos e, em alguns casos, redução de horários de atendimento. Para tentar contornar o problema, algumas redes já estudam benefícios adicionais, ajustes de jornada e até revisões no modelo de escala.

Para especialistas em direito do trabalho, o cenário reforça a necessidade de um debate mais amplo sobre qualidade de vida, organização da jornada e valorização do trabalhador. Segundo eles, apenas o aumento salarial, sem mudanças estruturais nas condições de trabalho, pode não ser suficiente para reverter o quadro.

Enquanto isso, supermercados seguem tentando equilibrar custos, operação e a crescente dificuldade de atrair e manter profissionais em um mercado de trabalho cada vez mais seletivo.

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