Quando a estatal Petróleos da Venezuela S.A. (PDVSA), foi criada durante o governo de Carlos Andrés Pérez, a ideia era simples, lógica e bastante racional: nacionalizar a exploração dos hidrocarbonetos em território venezuelano. A iniciativa do governo venezuelano, ao criar a referida estatal, no ano de 1976, não tinha nada de absurdo, ao contrário, o Brasil já tinha feito algo semelhante décadas atrás, com a criação da Petrobrás, no governo Getúlio Vargas (1953). A diferença entre a PDVSA e a Petrobrás estava relacionada ao volume de produção: enquanto a Petrobrás nascia como uma empresa petrolífera de pequeno porte, mais voltada ao mercado interno nacional, a PDVSA nascia gigante, uma vez que a Venezuela já era um dos maiores produtores de petróleo do mundo.
Na década de 1970, o regime militar brasileiro investia na Petrobrás, com o foco de que nosso país alcançasse a autossuficiência em petróleo: este foi sempre o objetivo final da Petrobrás, desde a sua concepção por Getúlio Vargas. A Petrobrás nunca teve interesse em se tornar uma gigante exportadora, mas sim uma empresa que pudesse atender ao mercado interno brasileiro, utilizando o petróleo explorado em território nacional para atender o mercado local.
No caso da PDVSA a realidade era diferente: não tinha como a PDVSA não ser uma gigante exportadora, uma vez que a produção petrolífera da Venezuela era imensa. Todavia, a estratégia inicial da PDVSA não se distanciava muito da estratégia adotada pela Petrobrás, uma vez que havia também um interesse em atender ao mercado interno do país.
Ocorre que, neste lapso temporal, a Petrobrás mostrou ter uma gestão muito melhor estruturada, quando comparada à da PDVSA. A redução da interferência política na Petrobrás, ao longo das décadas, a adoção de uma gestão mais técnica, a abertura de capital na Bolsa de Valores e outras medidas, garantiram que a Petrobrás ganhasse robustez e se tornasse significativamente sólida. Em contrapartida, neste mesmo período, a PDVSA seguiu o caminho exatamente contrário, aumentando a interferência política dentro da estatal, como forma de fazer com que a gestão atendesse aos interesses do regime chavista, pouco ou nada se importando com a qualidade da gestão e a saúde financeira da companhia.
O resultado final desta sandice está diante de nossos olhos: a PDVSA está falida, mesmo tendo o direito de exclusividade para explorar uma das maiores reservas de petróleo do mundo. Por outro lado, a Petrobrás hoje é uma empresa robusta, como sempre uma das queridinhas da bolsa de valores do país.
O grande erro do governo venezuelano foi não ter pensado com cabeça de empresário, mas com cabeça de político. Uma vez que o governo era proprietário da companhia, ele teria direito ao repasse dos lucros para os cofres públicos. Logo, quanto mais lucrativa fosse a empresa, mais recursos obteria o governo venezuelano para investir nos programas sociais e no desenvolvimento econômico. Não era necessário sangrar a companhia, tal como foi feito, bastava apenas tratá-la como uma empresa privada, mas com um diferencial: parte de seus lucros iria para o governo e a outra parte seria reinvestida na própria empresa, de idêntica forma que um empresário faz com seu próprio negócio.
Hoje, uma reestruturação da PDVSA tornou-se praticamente inviável, pois a companhia continua grande, mas um gigante destruído e obsoleto. Até mesmo na hipótese de eventual privatização, haveria pouco interesse da iniciativa privada em assumir todas as operações da PDVSA, uma vez que a operação é colossal e está em frangalhos (muito embora, se a empresa se recuperar, tem um potencial enorme).







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