Brasília — Lideranças do Partido Liberal (PL) e do União Brasil afirmaram que irão atuar para impedir o avanço, no Congresso Nacional, de qualquer proposta que determine o fim da escala de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador atua por seis dias consecutivos e folga um.
A sinalização ocorre em meio a discussões sobre possíveis mudanças na legislação trabalhista com o objetivo de reduzir a jornada semanal ou ampliar períodos de descanso. Parlamentares das duas siglas argumentam que a alteração obrigatória do regime 6×1 pode gerar impactos negativos para setores como comércio, serviços, indústria e segurança privada, que tradicionalmente operam nesse formato.
Segundo deputados alinhados à proposta de manutenção da escala, a imposição de um novo modelo poderia elevar custos para empregadores, pressionar pequenas e médias empresas e, em última instância, afetar a geração de empregos. Eles defendem que eventuais mudanças na jornada devem ser negociadas entre empregadores e trabalhadores por meio de acordos coletivos, respeitando as especificidades de cada categoria.
Por outro lado, defensores do fim da escala 6×1 sustentam que o modelo é desgastante e compromete a qualidade de vida do trabalhador, dificultando o convívio familiar e o descanso adequado. Centrais sindicais e parlamentares de oposição vêm pressionando por uma revisão da jornada, argumentando que a produtividade não depende exclusivamente do número de dias trabalhados, mas também de condições adequadas e equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
Nos bastidores, a avaliação de líderes do PL e do União Brasil é de que há força suficiente na Câmara e no Senado para frear propostas consideradas “radicais” na área trabalhista. A estratégia deve incluir articulação nas comissões temáticas e eventual obstrução de pautas, caso o tema avance para votação.
O debate sobre a escala 6×1 se insere em um contexto mais amplo de revisão das regras trabalhistas no país. Especialistas apontam que qualquer mudança estrutural exigirá amplo diálogo entre governo, Congresso, setor produtivo e representantes dos trabalhadores, diante dos possíveis impactos econômicos e sociais.
Até o momento, não há definição sobre quando — ou se — o tema será levado ao plenário. O impasse indica que a discussão deve se prolongar nas próximas semanas, mantendo aceso o embate entre diferentes visões sobre o futuro das relações de trabalho no Brasil.






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