Desde o ano de 2016, percebemos uma movimentação bastante atípica no cenário geopolítico internacional. Quando Donald Trump vence as eleições estadunidenses pela primeira vez, substituindo Barack Obama como presidente dos EUA, se iniciava uma nova e atípica fase na geopolítica internacional recente: a ascensão da “extrema direita”.
Trump não era, nos EUA, um genuíno expoente da típica austeridade republicana, como já dissemos anteriormente aqui no Fanfulla (https://fanfula.com.br/2026/01/05/trump-o-filho-de-obama/), mas havia algo de interessante em Trump, que fez com que a população americana o visse como um possível “salvador da pátria”: Trump falava a linguagem do povo, exatamente aquilo que as pessoas queriam ouvir e, apesar dos pesares, a esquerda global tornou-se impopular ao longo dos anos, o que inevitável a fez perder terreno, não somente nos EUA, como em todo o mundo ocidental.
Na sequência da vitória de Trump, nos EUA, tivemos a ascensão de Jair Bolsonaro, no Brasil (2018), Nayib Burkele, em El Salvador (2019), Giorgia Meloni, na Itália (2022), Javier Milei, na Argentina (2023) e José Antonio Kast, no Chile (2026). Antes de Trump, a extrema-direita já estava a ganhar terreno em países do Leste Europeu, com expoentes como Viktor Orbán, na Hungria (2010) e Andrzej Duda, na Polônia (2015), sendo este um inconteste fenômeno que avança sobre todo o ocidente. Países como a França e a Alemanha ainda seguem “blindados” contra este avanço, mas não por muito tempo, afinal o Alternative für Deutschland, partido da extrema-direita alemã, já controla mais de 24% dos assentos do Bundestag (Parlamento Federal da Alemanha).
Evidentemente que esta é uma reação contra a diversas pautas que foram defendidas pela esquerda ao longo dos anos, como a famigerada “agenda woke” e a questão dos refugiados, mas este fenômeno tem apresentado claros sinais de fraqueza.
Na Itália, por exemplo, o referendo ocorrido em 21 e 22 de março de 2026, que pretendia a reforma do judiciário, bandeira que sempre foi defendida pela primeira-ministra Giorgia Meloni, do partido Fratelli d’Italia, foi um verdadeiro fiasco: o voto pelo “SIM” somente venceu em duas regiões italianas (Lombardia e Veneto). A derrota no plebiscito demonstrou não uma insatisfação dos italianos pela proposta, mas a impopularidade do governo junto a população local.
De acordo com o jornal La Repubblica (https://www.repubblica.it/politica/2026/03/25/news/referendum_giovani_no_opposizione-425244915/), os jovens italianos foram majoritariamente contrários a proposta de reforma constitucional apresentada no referendo. Geograficamente, a população do Sul da Itália, em especial de Nápoles, foi a que rejeitou massivamente a proposta: 75,4% dos napolitanos votaram NÃO no referendo (https://napoli.repubblica.it/cronaca/2026/03/24/news/napoli_campania_voto_referendum_scampia_posillipo-425241675/).
A insatisfação dos italianos ao governo de Georgia Meloni é uma realidade facilmente perceptível para qualquer pessoa que visita a Itália: existem bandeiras da Palestina por toda parte, hasteada por cidadãos italianos, em claro protesto contra a primeira-minista, que sempre busca enaltecer Israel (https://www.facebook.com/orsiniufficiale/posts/giorgia-meloni-contro-i-manifestanti-la-pace-non-si-costruisce-con-le-bandierepr/1547252086493955/)
De fato, a direita italiana já está em flagrante declínio e partidos moderados, que resolveram apoiar o atual governo, se não estiverem estudando uma possível debandada, poderão sofrer significativa rejeição nas próximas eleições legislativas, que estão previstas para o próximo, embora o atual governo esteja tentando, ainda este ano, modificar a lei eleitoral, para garantir a reeleição de Meloni (https://pt.euronews.com/my-europe/2026/03/09/lei-eleitoral-italiana-estara-giorgia-meloni-a-reformular-o-sistema-para-garantir-a-reelei).






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