A movimentação articulada por Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, para aproximar a prefeita Suéllen Rosim e o ex-prefeito Rodrigo Agostinho dentro da mesma legenda escancara, mais uma vez, a lógica pragmática que tem marcado a política partidária em Bauru.
Projeto de poder ou coerência política?
A tentativa de reunir duas lideranças com trajetórias, estilos e bases distintas levanta questionamentos sobre até que ponto o movimento atende a um projeto consistente para a cidade — ou apenas a uma estratégia de concentração de poder partidário.
Nos bastidores, a informação de que Suéllen Rosim não teria gostado da ideia reforça a percepção de que a articulação não nasce de um consenso local, mas de uma imposição de cima para baixo. Kassab, conhecido por sua habilidade política, aposta mais uma vez em engenharia partidária, ainda que isso signifique tensionar lideranças já estabelecidas.
Incômodo e disputa velada
O desconforto da prefeita não é trivial. Hoje principal nome do PSD em Bauru, Suéllen veria a chegada de Rodrigo Agostinho como uma ameaça direta ao seu protagonismo político. Agostinho, por sua vez, carrega capital eleitoral e visibilidade que inevitavelmente reconfigurariam o equilíbrio interno do partido.
A tentativa de vender o movimento como “fortalecimento da legenda” esbarra, na prática, em um cenário potencial de disputa interna — algo que o eleitor costuma assistir com crescente ceticismo.
Centralização e desgaste
A estratégia de Kassab evidencia um modelo já conhecido: ampliar o partido agregando figuras de peso, independentemente de alinhamentos prévios mais claros. Embora eficiente no curto prazo, esse tipo de articulação pode gerar desgaste, especialmente quando ignora dinâmicas locais e sensibilidades políticas.
Em Bauru, o risco é evidente: ao invés de fortalecer o PSD, a manobra pode aprofundar divisões e enfraquecer a coesão do grupo que hoje sustenta a administração municipal.
O eleitor em segundo plano
Enquanto lideranças negociam espaços e protagonismo, pouco se discute sobre os impactos concretos para a população. A movimentação partidária, centrada em nomes e poder, deixa em segundo plano o debate sobre projetos, prioridades e resultados para a cidade.
Um teste para o PSD
Se a articulação avançar, o PSD terá diante de si um desafio clássico: transformar uma aliança forçada em convivência política funcional. Caso contrário, o partido pode acabar reproduzindo internamente os conflitos que tenta administrar externamente.
No fim, a questão que permanece é se a estratégia de Kassab conseguirá produzir unidade — ou se Bauru se tornará mais um exemplo de que, na política, somar lideranças nem sempre significa somar forças.






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