Parece que o grande surto coletivo que deu acesso à extrema-direita ao poder está chegando ao fim, exatamente no país onde tudo começou: na Hungria.
Parece que foi ontem, mas lembro quando li na BBC Brasil, uma matéria sobre a vitória de Viktor Orbán e o primeiro ato extremamente autoritário que ele fez, imediatamente após a sua vitória: uma nova constituição para a Hungria.
Quando li sobre aquela nova constituição, era um verdadeiro circo dos horrores: um texto completamente anacrônico e incompatível com os princípios básicos da sociedade ocidental moderna. Uma constituição que traduzia um estranho desejo de retrocesso social. O fanatismo de Orbán não parava por aí: o estranho desejo de apagar o século XX, fez com que o governo estimulasse a construção de novos edifícios com arquitetura do século XIX ou anterior (https://revistacasaejardim.globo.com/arquitetura/noticia/2025/08/predio-neoclassico-substitui-construcao-brutalista-em-budapeste-e-gera-debate-publico.ghtml). Isto não é preservar a história, mas tentar reescrevê-la artificialmente. Estes prédios não possuem nenhum valor histórico ou cultural relevante, são construções novas como outra qualquer, feitas com a ideia de apagar um passado não tão glorioso para a Hungria (como se isso fosse possível).
O governo de Orbán, assim como é clássico na extrema-direita, foi repleto de hipocrisias, alianças de extremo mau gosto geopolítico e, certamente, deixa o poder da Hungria sem deixar saudades, afinal, foi substituído por uma figura política que já havia sido seu aliado no passado: Peter Magyar.
Hoje a Hungria pode respirar mais aliviada, Magyar não é extremista, nem de direita nem de esquerda, é um político do centro, alinhado aos valores do Ocidente e quem vem por fim a este sórdido momento da história húngara.
Felizmente, este não será um caso isolado: analistas internacionais já apontam que isto deve ocorrer em outros países europeus, apontando como um possível “efeito Trump ao contrário” (https://www.open.online/2026/04/13/ungheria-orban-sconfitta-effetto-trump/), havendo forte expectativa que Georgia Meloni possa ser a próxima a cair, embora, é preciso frisar que o apoio de Viktor Orbán aos russos foi decisivo para sua perda de prestígio junto ao eleitorado húngaro, algo que Meloni nunca fez na Itália (apoiar os russos).







Deixe um comentário