Lei em Campo Grande proíbe mulheres trans de utilizarem banheiros públicos conforme a identidade de gênero

Uma verdadeira aberração jurídica foi sancionada pela prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), que proíbe as mulheres trans de utilizarem banheiro feminino. A promulgação da referida norma jurídica, em pleno ano de 2026, me faz sentir uma inconteste paúra com o futuro de nossa nação.

Aqueles que aplaudem tal medida, certamente aplaudiriam Hitler, quando começou a segregar as minorias, durante a Alemanha Nazista, sem perceber todo o teatro político que existe por detrás de tal medida.

Primeiramente, quando uma legislação desta natureza é promulgada, além de sua inconstitucionalidade, é possível se observar também uma tentativa bastante clara de fragilizar o movimento feminista, sem que o próprio movimento se dê conta deste fenômeno.

Primeiramente, inexistem quaisquer dados oficiais que apontem que mulheres trans, em banheiros femininos, tenham causado qualquer tipo de prática assemelhada a abuso sexual contra as mulheres cis. Em segundo lugar, além desta total ausência de incidentes graves que justificassem esta medida, a exposição das mulheres trans, em banheiros masculinos, as torna vulneráveis a possíveis abusos que possam ser perpetrados contra elas neste ambiente.

Quando o legislador aprova esta medida, ele não está se importando com a dignidade da pessoa humana ou com a proteção dos grupos minoritários: ele está introduzindo, de maneira aparentemente silente, uma ditadura da maioria.

Neste sentido, quando se tolhe o direito de uma mulher trans de utilizar o banheiro feminino, você inicia a pavimentação do cerceamento de diversos outros direitos às minorias de gênero, para atender à vontade de uma maioria conservadora, que seria capaz de aplaudir a mais cruel ditadura, se isso lhe desse, ainda que de forma aparente, um privilégio face as minorias.

Assim, a mulher cis que consegue aplaudir este tipo de legislação, assemelha-se a “pessoa ariana” que aplaudia as medidas do nazismo contra as minorias na Alemanha, se esquecendo que todos nós temos “telhado de vidro” e amanhã pode ser a sua liberdade sendo tolhida, pois hora ou outra, você também será minoria, em algum contexto.

O movimento feminista só tem a perder não apoiando a causa das mulheres trans. Essa divisão entre mulheres cis e trans sequer deveriam existir, pois as mulheres trans enfrentam os mesmos dramas sociais vividos pelas mulheres cis, como o assédio sexual, o medo de serem vítimas de estupro, a violência e até mesmo o feminicídio, que no caso das mulheres trans, é quase sempre motivado pela transfobia.

Por tal razão, apresento meu completo repúdio à Câmara Municipal de Campo Grande e à Prefeitura Municipal de Campo Grande, por terem feito este absurdo jurídico, que além de claramente inconstitucional é claramente segregacionista e, antes que me chamam de comunista, anarquista, frentista e outros ‘ista’, eu sou apenas um rapaz, latino-americano, que luta pela liberdade, seja de quem for, ainda que eu não coadune com o estilo de vida do outro, quero que ele seja livre, pois quando a liberdade acaba, o inferno da autocracia se inicia e sim, não estamos prontos para isso.

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