Bauru, uma cidade que já sofre com altas temperaturas e escassez de água, agora enfrenta uma nova ameaça à sua já fragilizada infraestrutura ambiental. A prefeita Suellen Rosim assinou um convênio com a CPFL, autorizando a empresa a realizar podas e até cortes de árvores que possam interferir na rede elétrica. O programa, chamado “Arborização Segura”, tem gerado grande controvérsia, principalmente por não considerar a competência da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SEMMA), órgão que deveria ter a palavra final sobre ações tão sensíveis e impactantes para o meio ambiente da cidade.
Com um cenário climático cada vez mais crítico, Bauru já sofre com altas temperaturas, com picos de calor que afetam a qualidade de vida dos cidadãos, e com a constante falta de água, que prejudica tanto o abastecimento quanto a sustentabilidade da cidade. Em um contexto como esse, a preservação das árvores urbanas, que ajudam a melhorar a qualidade do ar e a reduzir o efeito de ilhas de calor, deveria ser uma prioridade para a gestão municipal. No entanto, ao permitir que a CPFL tenha autonomia para cortar e podar árvores sem a devida fiscalização e planejamento integrado com a SEMMA, a prefeita Suellen Rosim coloca em risco a saúde ambiental de Bauru.
A transferência da responsabilidade para a CPFL, uma empresa privada que visa primariamente a manutenção da rede elétrica, não leva em consideração os aspectos ecológicos e sociais que envolvem as árvores no ambiente urbano. A SEMMA, órgão municipal responsável por garantir a arborização e a sustentabilidade, deveria ser o protagonista na gestão do patrimônio natural da cidade. Ao ignorar esse papel e autorizar que uma empresa decida, sem a devida transparência e critério, o destino das árvores da cidade, a prefeita demonstra uma postura preocupante e autoritária.
É importante destacar que a arborização urbana é fundamental não apenas para o bem-estar da população, mas também para a regulação do clima local. O corte indiscriminado de árvores pode intensificar o efeito de “ilhas de calor”, agravando ainda mais as altas temperaturas e comprometendo a qualidade do ar. Além disso, com a crise hídrica que Bauru já enfrenta, as árvores desempenham um papel crucial na preservação do ciclo das águas, ajudando na infiltração da água da chuva e na redução da evaporação.
O programa “Arborização Segura”, que poderia ser uma ação positiva, se conduzido de maneira responsável e integrada com os órgãos competentes, passa a ser questionado pela falta de planejamento e pela transferência da responsabilidade para uma empresa privada. A sociedade bauruense, que já enfrenta desafios climáticos e ambientais, merece mais do que ações pontuais e autoritárias. Merece uma gestão pública que valorize a participação da comunidade e que adote políticas públicas sustentáveis, que promovam o equilíbrio entre o desenvolvimento urbano e a preservação do meio ambiente.
A prefeita Suellen Rosim deve reconsiderar sua postura e buscar uma solução mais equilibrada, que envolva a SEMMA e a população, respeitando as competências da gestão ambiental e as necessidades de preservação do verde urbano. Bauru não pode pagar o preço da falta de planejamento e da delegação de responsabilidades a interesses privados, especialmente quando se trata de algo tão fundamental quanto o futuro do meio ambiente urbano e da qualidade de vida de seus habitantes.







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