Desde o final da década de 1980, o número de brasileiros morando no exterior aumentou significativamente: saímos de 1,8 milhões (1990) para 5,18 milhões (2025). Se neste intervalo, a população brasileira cresceu 56 milhões, o número de emigrantes triplicou: um dado alarmante, se considerarmos que a população está envelhecendo e a taxa de natalidade diminuindo.
O perfil do emigrante também mudou: nos anos 80 e no início dos anos 90, os emigrantes eram pessoas das classes mais abastadas, que migravam de maneira temporária, muitas vezes por motivos de trabalho. No final dos anos 90 e durante os anos 2000, a base começou a emigrar significativamente para o exterior, na ideia de buscar ganhar dinheiro fora e retornar com uma situação financeira melhor para o Brasil. Após o impeachment de Dilma Rousseff esse perfil sofre uma pequena transformação: a classe média é quem passou a emigrar de maneira mais significativa.
Diferentemente dos demais grupos, a classe média não nutre uma intenção de retorno no curto prazo (ou sequer pretende retornar). Muitos com dupla nacionalidade, vêm no exterior uma oportunidade única de reconstruir a vida no exterior, em países com melhor segurança pública, segurança jurídica, carga tributária menor (ou com a sensação de maior retorno dos impostos) e economia mais livre.
Este abandono da classe média, tem gerado outro importante fenômeno em paralelo, que é a perda de mão de obra qualificada para o exterior: advogados, professores, médicos, enfermeiros, contadores, engenheiros e diversas tantas outras profissões, estão abandonando o país, ainda que precisem trabalhar em profissões braçais no exterior.
Agora, mais recentemente, surge um novo fenômeno migratório, que é para o Paraguai: embora seja um país mais pobre que o Brasil, o Paraguai apresenta um cenário muito mais favorável para quem busca empreender no país, quando comparado ao Brasil, o que tem acendido um alerta de inconformismo em alguns setores: Se a atividade produtiva migrar pro Paraguai, em um futuro não tão distante, o Brasil ficará muito fraco economicamente e, logicamente, isso não interessa o governo, pois reduzirá significativamente a arrecadação tributária.
Com o elevado número de saídas fiscais, o fisco brasileiro perde arrecadação e, por consequência, o controle sobre os cidadãos brasileiros no exterior, que finalmente encontram alguma liberdade fora da cleptocracia que o Brasil tem se tornado.







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